Todos os indicados ao Emmy 2020


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No auge de seu poder, quando ela discava o número de Ronald Reagan na Casa Branca, o presidente jamais deixava passar os seus telefonemas. Ele sabia que tinha que atender Phyllis Schlafly. Não só isso: gostava de conversar com ela. Os dois se tornaram grandes amigos durante a primeira campanha de Reagan como presidenciável, que Schafly tinha apoiado desde o início.

Essa é Phyllis Schlafly, uma das mulheres mais influentes na história do Partido Republicano dos EUA, a quem o canal FX dedica agora a série Mrs America, protagonizada por Cate Blanchett e exibida no Brasil pela HBO. Ela é praticamente uma desconhecida para quem não está familiarizado com a tradição política norte-americana, mas determinou uma grande parte dos valores do movimento ultraconservador norte-americano: a família como elemento central, e o repúdio ao feminismo, ao aborto e ao casamento homossexual. Acima de tudo, ela foi a principal promotora do resgate da ideia de que a mulher é basicamente uma cuidadora e mãe, antes que trabalhadora.

A vida, o trabalho e inclusive a imagem de Schlafly parecem concebidas por um especialista em imagem conservadora: atraente, mãe de seis filhos, em um casamento estável e defensora de valores tradicionais, Schlafly era o cartão-postal perfeito para uma campanha orquestrada pelos republicanos para recuperar um protagonismo perdido. Assim poderia ser lida, mas seria um erro: Schafy não foi um estratagema, e sim uma líder política fundamental, uma estrategista brilhante e, sobretudo, uma ideóloga popular que conseguiu um grande eco junto ao eleitor norte-americano médio.

Sua origem explica em grande parte sua trajetória ideológica. Phyllis Stewart foi o produto de uma família sulista do Missouri castigada pela depressão econômica da década de 1930. Criou-se em um ambiente católico que lhe inculcou a ideia do esforço e o trabalho. Durante a Segunda Guerra Mundial, com apenas vinte anos, como depois contaria orgulhosa, foi contratada como técnica de balística na maior fábrica de munições do mundo. Foi uma universitária destacada: obteve um mestrado em política governamental na prestigiosa faculdade Radcliffe (numa época em que Harvard ainda não aceitava mulheres) e pouco depois conheceu e se casou com o advogado John Fred Schlafly Jr., de uma rica família da Saint Louis. Anos mais tarde, se doutoraria em direito.

A história oficial diz que, depois de se casar, Phyllis Schlafly se retirou para exercer o papel de mãe de família e dona de casa enquanto criava seus seis filhos, mas isso contradiz frontalmente a realidade. O fato é que Schlafly logo foi picada pelo inseto da política: trabalhou em campanhas para a eleição de governadores republicanos no final dos anos 1940 e escreveu panfletos anticomunistas durante o macartismo. Em 1952 foi candidata republicana ao Congresso, e perdeu. Contrariamente ao que mais tarde defenderia, muitos de seus partidários a recordam, deleitados, fazendo campanha grávida ou amamentando algum de seus filhos.

Pouco a pouco ―“Como um hobby”, se desculparia― Phyllis Schlafly se tornou um ativo em alta. Seu livro A Choice Not an Echo (“uma escolha, não um eco”), que exortava o partido republicano a se afastar do “establishment da Costa Leste” ―como Henry Kissinger, a quem detestava―, vendeu três milhões de exemplares e lhe deu a plataforma de que necessitava. Nos anos sessenta começou a percorrer o país em favor das ideias ultraconservadoras que começavam a emergir em um setor do partido. Embora fosse uma das mais férreas defensoras do candidato Barry Goldwater, e tenha feito campanha por ele em todo o país, teve detratores entre suas fileiras e não obteve sua confiança: era conservadora demais até para os ultraconservadores.

Mas Schlafly entrou para a história de vez em 1972, quando encabeçou a campanha contra a chamada Emenda da Igualdade de Direitos (ERA, na sigla em inglês), uma iniciativa destinada a incorporar à Constituição a garantia de igualdade entre homens e mulheres. O que parecia uma batalha ganha desde o início pelos democratas se tornou um debate que perdurou até a década de oitenta, quando morreu de tédio. Àquela altura, a maioria dos norte-americanos associava a emenda ao serviço militar obrigatório para as mulheres, a banheiros mistos e a direitos LGTB. Por quê? Porque Schlafly se encarregou de que fosse assim. Ambiciosa, inteligente e muito sedutora, Phyllis tinha percorrido todo o país e se tornou o flagelo das feministas. Seu discurso populista de tradição e estabilidade familiar, exortando as mulheres a escolherem a felicidade no matrimônio e no lar, criou um movimento de base que fez vários Estados mudarem de opinião e a transformaria na arma secreta do partido. Pelo caminho levou algumas tortas midiáticas na cara e enfrentou o ódio encarniçado dos defensores dos direitos civis.

Durante anos, até sua morte, em 2016, o lobby fundado por ela, chamado Eagle Forum, defenderia os valores ultraconservadores do Partido Republicano. Mas não estava isenta de contradições: a autodenominada dona de casa que exortava as mulheres a ficarem no lar para cuidarem de seus filhos percorreu durante décadas os Estados Unidos, escreveu mais de uma dúzia de livros e teve uma governanta que se encarregou da criação de seus seis filhos. Nas palavras de sua oponente, a feminista Karen DeCrow, “era uma mulher extremamente liberada”.

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