Pelo menos 50 migrantes morrem tentando chegar às Canárias


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Pelo menos 50 migrantes morrem tentando chegar às Canárias

2 meses publicado 19
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O presidente Donald Trump, em uma de suas entrevistas coletivas.O presidente Donald Trump, em uma de suas entrevistas coletivas.JIM LO SCALZO / EFE

O Governo Trump fez um chamado aos profissionais médicos estrangeiros, especialmente aqueles que trabalham com a Covid-19, para que contatem os consulados dos EUA para agilizar a tramitação de seus vistos de modo que possam se incorporar à luta dos EUA contra o coronavírus o mais rápido possível. Ele também qualifica como “essenciais” atividades como a da colheita, que ele sabe que é feita por imigrantes indocumentados. E anuncia que não ordenará operações de checagem de documentos de imigrantes, para evitar que o medo deles de irem ao médico gere focos de contágio. Nesta segunda-feira os Estados Unidos alcançaram a cifra de 23.000 mortos pela pandemia de coronavírus.

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A pandemia de coronavírus pôs em evidência a importância dos trabalhadores imigrantes na economia norte-americana. E expôs algumas contradições na política linha-dura com a imigração, que constitui um dos pilares do discurso do presidente Donald Trump. Surge o paradoxo de que, embora a guarda de fronteira acelere a expulsão de imigrantes sem documentos mantidos em suas unidades, o Governo praticamente está blindando os indocumentados no campo e facilitando a entrada de imigrantes qualificados para aliviar a escassez de profissionais médicos no combate à pandemia na linha de frente.

Isso acontece exatamente no momento em que o país desperta do doce sonho do pleno emprego e enfrenta cifras históricas de desemprego. Mais de 16 milhões de pessoas, um em cada 10 trabalhadores no país, entraram com pedido de seguro-desemprego entre as últimas duas semanas de março e a primeira semana de abril. Especialistas não têm dúvida de que mais milhões as seguirão. Donald Trump, que adotou o slogan “comprar americano e contratar americano”, está agora entre duas forças: os empresários que o instam a relaxar a mão dura na imigração para evitar o colapso da economia e os ativistas anti-imigração, a quem ele encoraja há mais de três anos, que reagem irados a qualquer indício de mudança de atitude justo no momento mais crítico.

"Queremos que venham", disse Trump em 1º de abril sobre os imigrantes que costumam vir trabalhar na lavoura. “Não estamos fechando a fronteira para que todas essas pessoas não possam entrar. Elas estão lá há anos e anos, e eu dei minha palavra aos agricultores: elas continuarão a vir.”

A colheita de morango está começando nestes dias no interior da Califórnia. Em duas semanas, serão as cerejas e os mirtilos. Em maio, damascos e nectarinas. Um estudo da Universidade da Califórnia estima que 800.000 pessoas trabalham na indústria agrícola do Estado. A estimativa mais baixa é que 60% são indocumentados. Nestes dias de isolamento, elas são as mãos que garantem frutas e legumes frescos nos supermercados.

Estes trabalhadores sempre temeram a polícia. Desde que a Califórnia aprovou a ordem de quarentena, surgiu outro motivo para lhes pedir documentos: a polícia vigia para que somente trabalhadores “essenciais” saiam às ruas. A ironia do momento é que os indocumentados do setor rural são trabalhadores essenciais. Sem eles, a cadeia de suprimentos de alimentos não funciona. “Se não fosse por eles, quantas pessoas ficariam sem comida no mercado?”, diz por telefone Manuel Cunha, presidente da Nisei Farmers League, um importante sindicato em Fresno, Califórnia.

Há sete semanas, Cunha começou a enviar às associações de produtores uma carta-padrão para que assinassem. É uma espécie de salvo conduto. “Em apenas um parágrafo, o nome do trabalhador, o agricultor para o qual trabalha e o número de telefone. Se ele for parado por um agente da polícia ou do xerife, só precisa mostrar a carta, eles telefonam para o fazendeiro e ele confirma que a pessoa está se deslocando para o trabalho.” As associações distribuíram as cartas entre as grandes produções agrícolas de Fresno, diz ele, e estima que elas já tenham impresso cerca de 400.000.

Foi preciso uma pandemia mundial para que os Governos nos EUA reconheçam por escrito que o país não pode prescindir dos imigrantes irregulares. Nem mesmo aterrorizá-los. Em 18 de março, a polícia de imigração (ICE, na sigla em inglês) anunciou que estava interrompendo as batidas e prisões indiscriminadas de imigrantes sem documentos. Apenas daria prosseguimento à detenção de criminosos perigosos. O critério na presidência de Trump é prender o maior número possível de pessoas.

O comunicado da ICE dizia expressamente que não haverá prisões perto de serviços de saúde, como hospitais. “As pessoas não deveriam evitar o atendimento médico por medo da atividade da polícia de imigração”, afirma. A mudança de critério, embora temporária, estende à saúde o que já era evidente no campo da segurança pública em todas as grandes cidades dos Estados Unidos, onde a polícia não pede documentos a ninguém, para que não tenham medo de denunciar crimes ou testemunhar. A isso se chama políticas de santuário e é uma das obsessões de Trump. O coronavírus forçou Trump a declarar de fato todos os hospitais como santuários.

A crise também obrigou o Governo a procurar fora das fronteiras nacionais profissionais que possam combater a pandemia nos hospitais do país. "Nós encorajamos os profissionais médicos que procuram trabalho nos Estados Unidos com visto de trabalho ou de intercâmbio, especialmente aqueles que trabalham com questões como a Covid-19, a entrar em contato com a embaixada ou consulado mais próximo para obter uma entrevista.” O Departamento de Estado divulgou essa mensagem em 26 de março. Seis dias antes, os serviços rotineiros de visto nas embaixadas de todo o mundo haviam sido suspensos, pois passaram a se ater a serviços essenciais e focar no repatriamento de norte-americanos.

A mensagem, publicada no site do Departamento de Estado e transmitida nas mídias sociais, provocou uma enxurrada de ligações de profissionais médicos para indagar sobre o aparente convite para iniciar um processo que, em condições normais, pode levar anos. E também a críticas nas redes pelo que foi interpretado como a promoção de uma fuga de cérebros que poderia ser letal para países que estão enfrentando uma pandemia que deixa seus recursos no limite. No dia seguinte, o Departamento de Estado teve que emitir um "esclarecimento": a mensagem era dirigida apenas, afirmou, aos profissionais que já haviam sido admitidos para trabalhar ou estudar nos Estados Unidos.

"Devo confessar que talvez o que publicamos não tenha sido tão claro quanto deveria ter sido", disse Ian Brownlee, do Escritório de Assuntos Consulares, em uma entrevista por telefone com jornalistas. "São pessoas que já estavam prontas para vir, não estamos procurando outras", esclareceu. Perguntado, então, por que para publicar o anúncio, se nenhum tratamento especial estava sendo oferecido, Brownlee respondeu que teria que ver "como tudo isso tinha acontecido".

Não foi a única medida reconsiderada (ou esclarecida) após provocar controvérsia. Em 5 de março, o Departamento de Segurança Interna anunciou que aumentaria em 35.000 os vistos de trabalhadores temporários disponíveis este ano. É um visto que permite que os empregadores contratem trabalhadores estrangeiros para atividades não agrícolas temporárias, como na hotelaria ou turismo. Os empregadores frequentemente defendem um aumento de cota, mas os defensores da redução da imigração acreditam que a prática reduz os salários e impede que os norte-americanos tenham acesso a esses empregos.

Em 2 de abril, após a publicação dos dados alarmantes de emprego, o governo anunciou que o plano de expansão da cota estava suspenso “devido às atuais circunstâncias econômicas”. O problema é que muitos empregadores consideram que trabalhadores estrangeiros são cruciais para certos empregos difíceis de preencher com os cidadãos dos EUA. E ainda mais agora que eles podem obter mais renda com benefícios de desemprego e outros auxílios contemplados no plano gigantesco de estímulo à economia. “Os imigrantes estão trabalhando nos supermercados, nos campos, processando alimentos, na construção. São as pessoas que, em tempos de emergência, mantêm o país funcionando”, defende Sindy Benavides, diretora da Liga dos Cidadãos Latino-Americanos Unidos. "Estou confiante em que essa crise faça que, como sociedade, compreendamos isso.”

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